Estava farta. Já não podia mais com aquela conversa. Tinha de sair dali. Tinha. Mesmo.
A determinada altura era tanto barulho, tanta conversa. Tanto tudo que já não conseguia diferenciar quem estava a falar para mim e quem não.
A minha cabeça começou a zumbir e não conseguia ouvir barulhos distintos. Eram como se fossem todos juntos.
Estava abafado, apertado, ambiente pesado. A música, os berros, o chão a tremer, as conversas aos gritos que se cruzavam paralelamente.
E o pior. Tu. Estavas lá. Não. Esse não é o problema. (Quem me dera que fosse esse o problema)
Não estavas sozinho. Estavas com ela. Sim! COM ELA.
Não se tinham beijado. Nem estavam colados. Apenas amigos. Não faltaria muito para começarem a entrar na marmelada.
Ainda não te tinha visto.
Até que começou a dar a tal música. Sim. Aquela que me mostras-te. Aquela que disses-te que era das tuas mais intimas. Aquela que disses-te para não mostrar a ninguém e confias-te em mim. SÓ EM MIM.
Parei e lembrei-me. Sorri. Sorri para o nada.
Olhei já com olhar vazio pois toda a noite procurara por ti e sinal? nada à vista
Mas agora estavas lá tu no meio. E estavas a olhar para mim. A sorrir.
Eu ainda não a tinha visto. Só a ti. Fiquei super feliz.
Até que ela se virou e falou para ti. Estavas lá ao longe.
Deste-lhe uma resposta rápida e olhas-te para mim outra vez.
Fiquei confusa e triste. Não sabia quem era.
Até que te soletrei as letras do nome dela e tu confirmas-te. Era ELA.
Não confirmas-te com muito ânimo o que me alegrou. Mas naquele momento nada me alegrava. NADA
nem a festa, nem a musica, nem as minhas amigas, nem mesmo tu.
Fiquei em estado choque em vez de sorrir como estavas à espera.
Afinal de contas, eu é que fui a vossa casamenteira e não estava a sorrir quando te via com ela? Estranho.
Quando saí do estado de transe, sorri.
Tão forçadamente que até tu viste. Eu sei que reparas-te.
Ainda ficas-te a olhar mas eu virei a cara. Ainda ia desatar a chorar e sinceramente não estava com vontade para arruinar a noite.
Senti os teus olhos pousados em mim mas não te voltei a olhar.
Passados poucos instantes avisei uma amiga minha de que ia dar uma volta.
No meio de tanto barulho, concordou sem sequer saber o que eu acabara de dizer ao certo.
Fui, saí.
Ar. Sentia-o a bater na minha cara mas não a entrar dentro de mim. Como se estivesse a ser sufocada.
Estive uns bons minutos lá fora sozinha. Era o que eu queria.
Não cheguei a chorar. Algumas lágrimas escaparam-se-me pela gélida face mas nada mais.
Senti uma mão no meu ombro. Antes de olhar, limpei a lágrima. Virei-me assustada.
Eras tu, mais uma vez.
Perguntei-te o que estavas ali a fazer e retribuius-te-me a pergunta antes sequer de responderes.
Respondi-te que já estava a ficar farta do ambiente, vim cá fora um bocadinho e voltei a questionar-te. Aí respondes-te. Disses-te que tinhas vindo com ela. Apenas te disse:
-pois, eu reparei. E então, como é que estão a correr as coisas entre voçês?
fingi um sorriso e apenas disses-te:
-não precisas de vir cá para fora só por causa de achares que eu gosto dela. Esquece, foi apenas uma coisa estupida que me passou pela cabeça.
Fiquei boquiaberta e por segundos não coonsegui dizer nada. Bolas, tu prestas mesmo atenção.
percorro o meu caminho por cima das tuas pegadas
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
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1 comentário:
o meu problema, é exactamente "ELA".
obrigada por gostares, vou seguir *.*
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